9 - ANEXO

  

A TRÍADE
CAPITAL - TRABALHO - ECOSSENSO

  

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Conflito entre Capital (K) e Trabalho (L) pela apropriação da renda (r) no contexto da renda da natureza considerada como constituída de bens livres, portanto, sem custo.

Primeiro choque do preço do petróleo. A renda deve ser dividida e compartilhada entre três parceiros: Capital, Trabalho e exportadores de petróleo.  

  

Conscientização quanto à participação da energia nas estruturas do capital e do social. A economia de energia pode ser feita, por exemplo, com o isolamento térmico maior de uma casa. A pré-fabricação consome energia e reduz a participação do trabalho.

As funções de substituição KLE são ilustrações matemáticas dessa tríade, em relação ao produto interno bruto:

  P = Produto interno bruto
L = Trabalho
K = Capital
E = Energia

(Função Cobb - Douglas, por exemplo).

A energia é uma parte do produto da natureza. A tríade se completa pela participação global da natureza: energia, matérias-primas, mar, ar, paisagem, biota no Ecossenso E.

O Sistema S1 em desenvolvimento se caracteriza pela tríade Kt, Lt, Et no tempo (t). As ações da sociedade do sistema S1 provocam uma modificação da posição e, em conseqüência, uma modificação da tríade KLE.

Um crescimento do K implica, no mínimo, a redução de uma outra vertente: L e/ou E. Para evitar uma redução no Sistema S1t de uma das três vertentes, o Sistema S1 deverá se apropriar ela intervenção do Capital de uma parte do outro Sistema S2 em K, L ou E, ou nos três. Assim, é a representação do desenvolvimento desigual, onde um sistema imperial pode se apropriar de valores adicionais de outro sistema colonizado ou dominado, diretamente, pela escravidão ou uso de bens da natureza (energia, matérias-primas), ou indiretamente, pela participação na acumulação do capital nos países colonizados.

O erro da dialética socialista e da capitalista é não considerar a interferência do Ecossenso e lutar por uma divisão da renda entre o Capital e o Trabalho, não percebendo que existe um terceiro elemento que vem interferir nas substituições e nas funções do capital e do trabalho.

Esse terceiro elemento segue unicamente as leis da natureza: a primeira é a irreversibilidade, a segunda é a entropia.

A estratégia capitalista é tentar acumular cada vez mais o "material" capital: indústria, tecnologia, moeda, reservas, ciência, mas isso (Km) não pode ser realizado sem o gasto no ecossistema de uma reserva Em para manter uma participação adicional do trabalho Lm.

Da mesma forma, a estratégia socialista é tentar cada vez mais ter uma participação máxima sobre a "mais-valia" realizada Lr, com a redução da reserva Capital Kr e, em compensação, uma redução de reserva Er. Para manter a mesma reserva E(t), é necessário reduzir a participação do capital ainda mais, o que é impossível, devido ao confronto (econômico e bélico) com a economia capitalista e a necessidade de desenvolver indústrias e tecnologias.

As duas estratégias são obrigadas a dividir o mundo, ter satélites e colônias. A intervenção do Ecossenso, porque o mundo é limitado, faz com que os dois sistemas em progressão encontrem contradições estruturais e similares, no setor da democracia social.

As duas dialéticas não têm soluções para manter a reserva do Ecossenso, e o desenvolvimento sustentável é somente uma posição de congelamento (E constante).

A solução da energia nuclear resolverá a produção energética provisoriamente, mas não outras condições ecológicas, o que implica uma perda para o Capital ou para o social e uma revolução na avaliação das reservas "capital" e "social" do mundo.

O desafio é progredir nas vertentes Trabalho (social) e Capital (crescimento) sem consumir a reserva do ecossistema (ecologia).

Não é possível aceitar, com o atual nível da miséria mundial, uma regressão no social (educação, alimentação, saúde, habitação). Devemos admitir um crescimento social com modos novos de desenvolvimento capitalista que utilize a margem de eficiência ainda disponível e tecnologias novas de baixo impacto ambiental.

Felizmente existem o deus "sol", a ciência e a inteligência, além da mente.

Na realidade, a tríade KLE não é estética, e devemos, em conseqüência, avaliar as relações entre os três componentes e desenvolver modelos onde a inteligência compense as limitações sociais, a ciência compense as limitações econômicas e o sol compense as limitações das reservas fósseis.

Portanto, a dialética do desenvolvimento compartilhado é uma forma de sustentar o desenvolvimento dos países com crises de fome e doenças com um novo direcionamento do desenvolvimento dos países que já acumularam riquezas: a transferência de tecnologias, por exemplo. Além de ensinar a pescar em vez de dar peixe, como dizia Mao Tse Tung, os países ricos deverão ensinar aos países pobres a fabricar varas e anzóis.

Assim, podemos continuar a crescer nas três vertentes e provocar mudanças da escala de cada vertente sem necessitar da apropriação de outro sistema.