PREFÁCIO 


O engenheiro, especialista em energia, Paul Louis Poulallion, francês de nascimento e brasileiro por opção, mostra neste trabalho, A Classe Acima da Luta - Uma Nova Dialética do Desenvolvimento, o ecletismo da sua cultura e a opulência da sua inteligência ao abordar temas tão complexos e polêmicos como os que foram analisados nesta obra.

Ao criar o neologismo híbrido (greco-latino) "Ecossenso" (habitat entendido), Poulallion sintetiza neste termo a Terra e suas riquezas e o ser humano com seus padrões de fé e razão. Desta sorte, o termo tem embutidos em seu significado a maneira de ser da espécie humana e como se relaciona com seus semelhantes, não semelhantes e com o ecossistema que a envolve.

Faz uma análise profunda da relação Capital - Trabalho - Ecossenso (energia e matéria-prima), e acredita que o Ecossenso abre espaço entre a dialética capitalista (Capital) e a socialista (Trabalho), passando a representar o poder moderador do conflito entre capital e trabalho, mostrando que este maniqueísmo redundou em grandes conflitos, que tiveram como conseqüências o enriquecimento de uns (capitalismo), a estagnação de outros (comunismo) e o empobrecimento de muitos (terceiro-mundismo).

Dentro do seu modelo político (Capital, Trabalho e Ecossenso), abandona a constituição das formas clássicas de governo, tanto os monárquicos como os republicanos, e propõe que a democracia de massa dê lugar a uma democracia de classe, onde o Senado representa o Capital, a Câmara o Trabalho e a Casa da Terra as entidades do meio ambiente e o judiciário.

Após a leitura de sua obra, desvenda-se todo o amor e admiração que Poulallion tem pelo país e pela nação brasileira, tornando-se evidentes as razões da sua naturalização como cidadão brasileiro.

Com a maturidade e profundidade da sua dial‚tica, acredita que o Brasil possui as condições ideais na "linha de partida do novo modelo". Lamenta, no entanto, que o país tenha economistas demais.

Sente-se convencido que esta é uma nação "sacerdote", e que o seu terceiro-mundismo não está ligado à idéia de miséria ou de atraso, mas sim com o sentido da riqueza explorada, da simbiose com a natureza e da integração espiritual com a vida. É a vertente moderadora (Ecossenso) da luta, de concepção maniqueísta, entre o capitalismo e o comunismo.

Mostra que a vocação ecológica deste grande país inicia-se nos versos do seu hino e nas cores de sua bandeira, e acredita que a posição excepcional do Brasil frente ao Primeiro e ao Segundo Mundos se deve a: 1. não possuir uma história de guerras e revoluções; 2. poder experimentar em curto intervalo de tempo uma civilização e um novo modelo político; 3. representar o melhor exemplo de avanço no contexto da paz e dos ecossistemas; 4. ser o único país que conservou suas bases abertas de demanda energética e de desenvolvimento industrial de ponta; 5. ter associado às potencialidades do negro africano às do branco europeu; 6. que, independente da sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta moeda, idioma e cultura única.

Indiscutivelmente, é uma obra que representa o fruto da reflexão de uma experiência vivida intensamente, muito própria para o momento em que as questões ligadas ao enriquecimento, desenvolvimento e modelo energético estarão atreladas à poluição e à preservação ambiental. Todos estes temas serão objeto de importantes reflexões e debates, tanto pelos governos das diversas nações como pelos diferentes segmentos da sociedade, tendo como fórum a Conferência do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - Rio 92.


José Barbosa Filho
Professor titular da UERJ
Membro titular da Academia Nacional Medicina